segunda-feira, 12 de julho de 2010

O mito da Polarização e a farra do Tio Patinhas: Eleições 2010

Nos bares, nos terminais de ônibus e em tudo quanto é canto da cidade ouve-se falar que estamos "no tempo da política". E no imaginário popular, submerso na farsa da democracia representativa, as eleições realmente são o "tempo da política".
Nos próximos dias os nossos políticos devem começar a mostrar a cara, coisa que a grande maioria não fez nos últimos anos. Santinhos, carros de som, carreatas e bandeiras inundarão a cidade, que se tornará suja e barulhenta. No rádio, nos jornais e na televisão os "grandes" irão se degladiar e se utilizarão até dos meios mais excusos para consquistar o eleitor. Muito alvoroço e pouca discussão programática.
A mídia e os meios de comunição de massa vem construindo, desde o início do ano, a idéia de uma eleição diametralmente polarizada. A idéia de que só existem duas alternativas: em nível nacional a sucessora de Lula ou o ex-governador de São Paulo, e em Goiás o ex-prefeito de Goiânia ou o ex-senador tucano.
Escrevo-lhes meus caros leitores, para descontruir essa idéia de polarização que a mídia vem veiculando. Qualquer observador mais perspicaz pode perceber que, embora as legendas sejam distintas, o jogo de interesses é o mesmo. E quem sai perdendo nesse jogo, como sempre em nosso país, é o trabalhador brasileiro.
Em nível nacional, tanto o programa de governo do tucano como o da petista, estão a serviço do grande capital, dos organismos multilaterais e do empresariado. Embora um ou outro diga olhar com mais atenção para as políticas sociais, ambos estão sempre de namorico com os setores da média e alta burguesia.
Em nível regional a história se repete. O PMDBista, o pai dos pobres, o senhor dos mutirões, deixou o mandato pela metade no ano em que Goiânia foi considerada uma das cidades com maior desigualdade social do país. Esse mesmo, que prometeu que iria resolver o problema do transporte público em Goiânia, não honrou seu compromisso, mas também não deve estar muito preocupado com isso, já que a economia continua crescendo ( e a bomba agora está na mão de outro).
Já outro, o do "tempo novo", o que criou a grande Universidade Estadual de Goiás - a maior universidade da América Latina, e que está caindo aos pedaços - e que teve uma atuação inexpressiva no senado, vem com força total para a disputa do governo do estado, já que tem todo o apoio dos grandes homens do agronegócio.
É meus amigos, sinto-lhes informar, papai noel não existe. Dilma e Serra, Marconi ou Íris, é tudo "farinha do mesmo saco", como dizia minha avó, é mais do mesmo. É bem verdade sim que um destes irá sair vitorioso após as eleições. Mas não vamos cair nessa ladainha de polarização, porque se a disputa é homogênea, não existem polos opostos.
Outro absurdo do "tempo da política" é a quantidade de dinheiro gasto nas campanhas. Os dois grandes de Goiás declararam que, juntos irão gastar cerca 50 milhões de reais na disputa. A origem desse montante ainda não foi declarado. Mas nós sabemos: é dinheiro de desvio de obras públicas e programas sociais de governo, dinheiro do empresariado (o qual irá ser cobrado com juros e correção, em forma de favores, licitações ganhas e muito lobby). Se não for daí meus caros, então só pode mesmo ser o velho Tio Patinhas quem está pagando essa conta. Aquele saudoso, da minha infância, que nadava em uma piscina de moedas de ouro.
Enfim, precisamos acordar. As eleições não mudarão as condições estruturais de nosso país, nem sequer a conjuntura. Mas precisamos olhar com mais atenção para os outros, aqueles que a mídia nem sequer mostra. São esses que estão diariamente na luta junto com os trabalhadores, que dialogam com os movimentos sociais, com as associações de bairro. São esses que conhecem a dura realidade das classes populares, pois não ficam enclausurados em gabinetes o dia inteiro despachando. Mais que dar o voto, precisamos nos organizar e lutar, para construir uma sociedade mais justa e igualitária, onde não existam patronatos e nem gestores, e cada homem possa viver do seu próprio trabalho, sem ser explorado por outrem.

Luciano Alvarenga

Quem sou eu

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Luciano Alvarenga Montalvão, é graduando em Psicologia e servidor público. Coordenador Geral do Diretório Central dos Estudantes e representante discente no Conselho Universitário da UFG. Militante da União da Juventude Comunista, a Juventude do Partido Comunista Brasileiro.